O que é experiential learning e como usá-lo em meu favor?

Há mais de cem anos, Hermann Ebbinghaus, um grande psicólogo que estudava a memória e a aprendizagem, teorizou a curva de aprendizado, descrevendo a relação entre o tempo e a memória. Segundo ele, durante uma palestra, se a taxa de absorção de um indivíduo é de 100% no primeiro dia, ocorre uma perda de aprendizado que varia de 50% a 80% a partir do segundo dia, e a taxa de retenção tende a cair ainda mais, chegando a 2% ou 3% ao final de 30 dias.

A teoria de Ebbinghaus se torna ainda mais relevante nos dias de hoje, quando os intervalos de atenção diminuíram ainda mais com o surgimento da Internet, das redes sociais e de uma série de outras distrações que levaram o aprendizado a ser reduzido, muitas vezes, para 140 caracteres.

Para contornar esse problema sério da atualidade, David Kolb, um professor universitário norte-americano, após perceber que os adultos apresentam maneiras diferentes de aprender, que dependem de como percebem e processam a realidade, desenvolveu novo modelo de aprendizagem chamado “experiential learning”, que atualmente é considerado o futuro da aprendizagem.

Ficou interessado em conhecer o experiential learning? Então continue agora a sua leitura e entenda como funciona esse modelo de aprendizagem, por que ele tem sido um sucesso e o quanto ele pode beneficiá-lo!

Afinal, o que é experiential learning?

Segundo David Kolb, “o conhecimento resulta da combinação de experiência de aprendizado e de transformação”. Em sua pesquisa, ele percebeu que o conhecimento é um processo contínuo, formado pela experiência, pela reflexão, pela conceituação e pela experimentação. Esses são os quatro elementos que, juntos, compõem o ciclo de experiential learning, ou, aprendizagem experiencial.

Para entender melhor, veja como funciona a relação desses elementos em cada fase do ciclo. Entenda!

Experiência concreta

A experiência concreta se trata das experiências pessoais práticas que adquirimos. São as coisas novas que tentamos ao sair da zona de conforto. E não pense que uma experiência concreta necessariamente precisa ser algo muito técnico e complicado. Na verdade, ela pode ser qualquer coisa nova que aprendemos em nossa vida pessoal ou profissional, como fazer uma nova receita ou realizar uma tarefa diferente no trabalho.

Essa experiência permite que aprendamos tanto quando somos bem-sucedidos como quando falhamos em nossas tentativas. A importância está no tentar, no “colocar a mão na massa” e fazer, pois a experiência concreta acontece depois da tentativa, criando uma mudança de comportamento real!

Observação reflexiva

Essa fase do ciclo envolve uma reflexão para aprendermos com nossas experiências. É nessa etapa que consideramos e ponderamos nossas ações.

É quando paramos para pensar no que deu certo e no que poderia ser melhorado. É uma chance para observar como poderia ter sido feito de forma diferente, a fim de sempre melhorar o que sabemos.

Nessa fase, então, observa-se as alternativas, elabora-se os prós e os contras da forma como as coisas são feitas e analisa-se o que realmente funciona para cada um. É o momento para refletir qual erro foi cometido e por que, bem como o que deu certo e por quê.

Conceituação abstrata

Uma vez que as características que definem uma experiência já foram identificadas e entendidas, temos o poder de decidir o que será feito de diferente na próxima oportunidade, se houver. Esse é um importante momento para planejar, para criar estratégias e desenvolver um brainstorming para o sucesso.

Alguns exemplos desse planejamento são utilizar um temporizador quando for cozinhar, para evitar queimar a comida; fazer uso de um corretor ortográfico ao escrever um texto, a fim de evitar erros de digitação; e praticar aquela tarefa desafiadora quando tiver algum tempo livre.

Experimentação ativa

É nessa fase do ciclo de aprendizagem que podemos colocar em prática e experimentar as ideias trabalhadas anteriormente. É hora de testar o plano de ação construído e as suas estratégias no mundo real!

Afinal, não basta só planejar e imaginar como será, pois é apenas tentando que você saberá se algo funciona. Seja lá o que você tem tentado aprender, ou o que tem estudado, é hora de guardar um pouco os livros e sair da teoria para a realidade.

Claro, pode acontecer de as coisas não saírem conforme o planejado, ninguém está livre desse resultado e isso não significa que você tenha, de fato, fracassado. Apenas é necessário que você retorne ao planejamento para corrigir o que deu errado e, então, tentar novamente até alcançar o sucesso na tarefa.

Como usar o experiential learning em seu benefício?

Logo no início do texto, falamos em como a taxa de absorção de algo novo que aprendemos tende a decair com o decorrer do tempo. Isso ocorre, principalmente, se não colocamos em prática e não experimentamos de verdade aquilo que aprendemos.

Você pode tirar a prova disso de uma forma bem fácil. Busque, por exemplo, por uma receita de bolo; ela não precisa ser muito complexa. Leia atentamente quais são os ingredientes necessários e a forma como a receita deve ser preparada, mas não faça o bolo. Depois de alguns dias, tente lembrar-se de como fazer o bolo sem consultar a receita. Certamente, alguma medida, algum ingrediente, será esquecido.

Agora, experimente fazer diferente. Em vez de apenas ler sobre a receita do bolo, tente fazê-lo. Se ficar bom, ótimo. Caso contrário, tente descobrir o que deu errado e tente novamente. Depois de alguns dias, tente mais uma vez lembrar-se de como fazer o bolo sem consultar a receita. Certamente, ficará mais fácil lembrar-se dos ingredientes, das medidas e do modo certo de prepará-lo.

Da mesma forma como acontece no exemplo dado acima, é quando aprendemos algo em um curso, no trabalho, na Internet ou em qualquer outro lugar. Se não refletirmos sobre o que aprendemos, não colocarmos a mão na massa para praticar e não buscarmos melhorar cada vez mais no que fazemos, as chances de esquecer detalhes importantes do que foi aprendido se tornam cada vez maiores.

Confira alguns dos benefícios oferecidos pelo experiential learning:

  • acelera o aprendizado: aprender fazendo melhora e muito a sua absorção e complementa o método tradicional de aprendizagem por meio de repetição;
  • aumenta o nível de engajamento: uma vez que o foco, a concentração e a colaboração com outros membros estão em alta, as chances de engajamento e resultados positivos são muito maiores;
  • resultados de avaliação muito mais precisos: uma coisa é saber na teoria, outra coisa é saber na prática, não concorda?
  • permite uma aprendizagem personalizada: já foi comprovado que as pessoas têm formas diferentes de aprender uma das outras, por isso, o método tradicional de aprendizagem nem sempre é eficaz;
  • muito além do aprendizado em sala de aula: com o experiential learning, é possível desenvolver conhecimentos, habilidades e atitudes além de trabalhar os sentimentos e emoções, uma vez que essa metodologia é de uma natureza mais pessoal;
  • produz alterações na mentalidade: o experiential learning é uma das poucas metodologias que causam impacto na mente do participante, sendo capaz de trabalhar a liderança, o autoconhecimento e as habilidades interpessoais.

Existe ainda alguma dúvida quanto aos benefícios que o experiential learning pode oferecer? Não perca mais seu tempo, aprenda de verdade, aprenda fazendo! E você, o que achou dessa metodologia? Deixe o seu comentário!

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